Com emoção ou sem emoção? A pergunta feita pelos guias de turismo antes de cada passeio dá uma noção do que esperar de Natal e do litoral do Rio Grande do Norte. Muito mais do que praias, às vezes desertas, outras bem movimentadas, de areia clara e fina e um mar azul-celeste, Natal é um grande parque a céu aberto.
Do aerobunda e buggies, que cortam as dunas em alta ou baixa velocidade, dependendo do gosto do cliente, ao trotar dos camelos ou dromedários, quase tudo se transforma em aventuras inesquecíveis regadas a grandes doses de adrenalina e goles de água-de-coco. O sol da região exige uma hidratação constante e filtro solar fator 30, no mínimo. Entre uma diversão e outra, não são raras as vezes em que o estômago quase vai parar na boca, num misto de medo, alegria e euforia.
A região é considerada uma espécie de paraíso para os amantes dos esportes a vela. Como dizem os habitantes locais: “É como se Deus tivesse ligado um imenso ventilador ao leste, no mar, e esquecido de desligar a tomada”. Em São Miguel do Gostoso, vila localizada a 112 km de Natal, as velas de windsurfe e kitesurfe ajudam a colorir ainda mais o cenário, ao se misturar com o azul do mar e do céu.
A entrada da Barra do Rio Potengi, que dá acesso a Natal, é bastante tranqüila e fácil de vencer. Para chegar ao Iate Clube de Natal, basta seguir o canal balizado. O clube está localizado a bombordo do canal bem antes de chegar ao porto. Ali, a maioria dos barcos fica presa às poitas, dispostas em frente à sede do iate clube. A estada é tranqüila, com águas calmas e, na maioria do tempo, transparentes. É aconselhável ficar o mais próximo possível do píer. Caso contrário, na maré vazante, se o dingue não tiver motor, o desembarque pode ser mais difícil. Embora a estrutura não seja grande, o clube possui rampa para possíveis emergências. O ponto alto do local é a receptividade dos associados em relação a quem chega de barco ao Estado.
A cidade pede alguns dias de ancoragem, para dar o tempo necessário de se visitar e conhecer a cidade, as praias urbanas e o Morro do Careca – duna de 120 m de altura, localizada na praia de Ponta Negra. No passado, uma diversão ímpar em forma de um imenso tobogã natural. Porém, o impacto provocado à duna fez com que fosse interditada. Mesmo assim, é uma das paisagens potiguares que pede ao menos uma foto para se guardar de lembrança.
Ao norte da bela capital do Rio Grande do Norte, alguns passeios são quase obrigatórios. É o caso de Genipabu. Para esse passeio, a melhor opção é deixar o barco na poita em frente à sede do clube e seguir de buggy (alugado) para a região. Cruzar o Parque das Dunas é simplesmente emocionante. Aliás, é o momento em que mais se ouve a pergunta: “Com emoção ou sem emoção?” - em destaque no início da reportagem - a cada grande subida ou descida de dunas. E olha que não são poucas. Por vezes, a sensação é de estarmos enfronhados no meio de um grande deserto de areias brancas e finas.
O problema é que a segurança se restringe às habilidades do ‘bugueiro’. Passados os momentos de adrenalina pura, vale relaxar e ter um pouco mais de emoção no ‘aerobunda’. Um cabo ligando o alto da duna à margem oposta da lagoa de Jacumã, em Genipabu, por onde os turistas escorregam até baterem nas águas da lagoa.
Mais ao norte, vale uma visita a Galinhos, onde é possível chegar de barco. No entanto, a entrada na barra é um pouco difícil. Vencida a barra, as águas ficam calmas como de uma piscina. Porém, é aconselhável entrar em companhia de um pescador da região, que pode servir de prático. O município é minúsculo e é possível atravessá-lo a pé. Mas o ponto alto, para quem chega a Galinhos pelo mar, é fretar um jegue-táxi e seguir de carroça até a praia e os restaurantes.
De volta a Natal, vale parar o barco novamente, para se aventurar pelo litoral sul. Depois da praia de Ponta Negra, chamam a atenção Tibau do Sul, Pipa e Baía Formosa. Em Tibau, é possível se aventurar com o barco na Lagoa Guaraíras, mas exige muita atenção e cuidado, pois esta não é uma área cartografada. Entre as cenas mais interessantes, está a possibilidade de nadar ao lado dos golfinhos que invadem as águas da lagoa com freqüência. Outra possibilidade, aliás, a mais recomendada, é explorar o litoral sul também em um buggy. Uma viagem de aproximadamente 50 km pela areia, regada de muita paisagem, praias e aventura. Caso o encantamento seja grande, aí sim, colete as informações necessárias e leve o veleiro até esse pedaço de paraíso cercado por praias e falésias coloridas.
Tibau é o último reduto de sossego antes de se chegar a uma das praias mais badaladas do litoral do estado. Bastam 7 km ao sul, para alcançar Pipa. Uma espécie de paraíso, quando o assunto é praias, bares e conforto, mas com o som dos carros dos turistas elevado demais, dignos de trios elétricos, e muita festa.
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